No Teatro tradicional e mais antigo existiam três sinais sonoros que informavam ao público e aos atores que o espetáculo iria começar. Sinto que o universo soou esse terceiro sinal, e agora estou novamente vivo. É uma sensação forte, intensa. Entrar na sala de aula do curso de Teatro novamente, mesmo em uma nova universidade, sentir aquele espaço, ouvir os professores, trocar energia com os colegas de curso, é mágico, é vivo.
Estar no teatro é estar vivo, repito. É ouvir sobre as dificuldades, as sutilezas, as complexidades, não só artísticas ou intelectuais, como politicas, sociais, comerciais, e ouvir uma voz dentro de você que diz: "vai ser difícil, mas é aqui que eu quero estar. Vai ser difícil, mas aqui a mágica acontece. Vai ser difícil, mas aqui eu me transformo, eu me renovo. Vai ser difícil, mas aqui eu não preciso só contar (seja escrevendo ou falando em eventos acadêmicos), aqui eu posso atuar. Aqui é difícil, mas é vivo, é vivo, é vivo."
E o que poderia ser mais vivo do que o fogo? Esse fogo que escorre através do suor do corpo.
O corpo é vivo, sentimos isso nos movimentos nas aulas de corpo, improvisação e no laboratório de interpretação.
A voz é viva, sentimos isso nos exercícios e na respiração durante a aula de voz.
O passado é vivo, vemos isso na aula de história do teatro ou de apreciação cênica.
Tudo isso, tanto fogo, em apenas duas semanas.
Só consigo sentir um alivio, por finalmente estar vivo, por não estar mais no quase, por poder ouvir o terceiro sinal e correr com força, e respirar com intensidade, e realmente querer aquilo tudo.
Pedro Doria